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Batalha de Brunanburh

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Batalha de Brunanburh - História em Destaque

A grande batalha de Brunanburh em 937. Ilustração de Hutchinsons Story of the British Nation, 1922. Alfred Pearse. (Wikmedia Commons).


Quando você pensa em uma batalha que definiu o curso da história da Inglaterra. O que lhe vem à mente? A Batalha de Agincourt? A Batalha de Hastings? A Batalha do Campo de Bosworth, que pôs fim à Guerra das Rosas em 1485? É provável que a Batalha de Brunanburh não tenha sido a primeira que lhe veio à mente! Entretanto, esse evento histórico definiu o rumo dos países que hoje conhecemos como Inglaterra, Escócia e País de Gales.



A Batalha de Brunanburh foi um evento decisivo travado entre anglo-saxões liderados pelo rei Æthelstan de Wessex (r. 924–939, também conhecido como Athelstan ou Etelstano), e uma coalizão composta por vikings sob o comando de Olaf Guthfrithson de Dublin (r. 934–939), escoceses liderados por Constantino II da Escócia (r. 900–943), e bretões sob comando de Owen de Strathclyde (ou Owain). A batalha ocorreu em 937 d.C., e o rei Athelstan e os ingleses saíram vitoriosos. Athelstan contou com a ajuda de seu irmão, Edmund de Wessex, para conquistar a vitória para os ingleses. Essa vitória consolidou o domínio hegemônico de Athelstan na Inglaterra. Os invasores sobreviventes fugiram em navios para os reinos vikings ou a pé para o norte.


A batalha é retratada em um poema chamado A Batalha de Brunanburh, escrito em inglês antigo em 937 d.C., incluído na Crônica Anglo-Saxônica, e narra a vitória do rei saxão Athelstan de Wessex sobre os invasores nórdicos, escoceses e bretões de Strathclyde que haviam formado uma coalizão. O poema enumera os reis mortos no campo de batalha e retrata os vikings fugindo para Dublin em seus navios enquanto seus filhos mortos eram devorados por lobos e corvos. Segundo a crônica, a Batalha de Brunanburh foi a maior batalha já travada na Inglaterra.



A localização exata da Batalha de Brunanburh permanece incerta e sujeita a debates acadêmicos contínuos. Não há evidência arqueológica conclusiva identificando o local da batalha e as fontes medievais sobre a localização são limitadas. A vitória dos ingleses nessa batalha desencorajou novas invasões em larga escala, reforçou a união dos reinos de Wessex, Nortúmbria e Mércia sob uma única coroa inglesa.


Exploraremos o que aconteceu ao longo de um dia de combates intensos e sangrentos, e por que os eventos daquele campo reverberam através dos séculos.



Contexto histórico

Legado da retirada romana, as migrações anglo-saxônicas e as incursões bárbaras dos vikings no início do século X d.C. fragmentaram a autoridade na Inglaterra entre poderes étnicos e regionais rivais. Wessex, centro do reino anglo-saxão, havia consolidado o controle sobre o sul e o centro da Inglaterra – incluindo o reino da Mércia – por meio de casamentos e campanhas militares. Mas, para estabelecer uma hegemonia em direção ao norte, enfrentou desafios contínuos. Nos assentamentos vikings na região de Danelaw foram criadas entidades políticas nórdico-gaélicas de resistência sob governantes instáveis – os dinamarqueses de Dublin.


Um grupo de condes nórdicos conhecido como Condes de Northumberland governava o norte da Inglaterra. Eles eram liderados por Olaf Guthfrithsson, rei de Dublin. Esses condes também controlavam parte da Irlanda.


As Ilhas Britânicas no século X. Ikonact. (CC BY-SA)


Os escoceses estavam estabelecidos no norte, sob o comando de Constantino II (r. 900–943) que controlava o Reino de Alba. Esse governante buscou expandir seu território, entrando em conflito com os interesses dos ingleses. O sudoeste da Escócia e Cumbria era controlado pelo reino de Strathclyde, sob o governante Owain ap Dyfnwal (conhecido também como Owen ap Dyfnwal), preservando a autonomia e resistindo às pressões tanto dos anglo-saxões quanto dos escoceses.


Os invasores vikings, vindos da Escandinávia, avançavam para o sul da Inglaterra desde o final do século VIII d.C., invadindo e saqueando o território anglo-saxão. Obrigados a se deslocar mais ao sul, os anglo-saxões consolidaram seu reino e forjaram alianças entre feudos no sul, barrando os vikings que avançavam do norte. Os anglo-saxões também empurraram os celtas cada vez mais para o oeste.



Æthelstan e a expansão inglesa

Athelstan (em inglês antigo, Æthelstan) nasceu em 895 d.C., no reino de Wessex. Ele era filho ilegítimo do rei Edward, o Velho, e Ecgwynn, sua amante – que mais tarde se tornaria sua rainha. Ainda muito jovem, com apenas 5 anos, foi enviado ao reino da Mércia para ser criado na corte de sua tia Æthelflaed (ou Athelflaed). Nessa época, o reinado de seu avô, Alfred, o Grande (r. 871–899) estava no auge. Alfred havia conquistado respeito e prestígio entre seus compatriotas anglo-saxões, ao vencer os vikings em batalha e aumentar as defesas de seu reino. Ao lado de seu filho, Edward, o Velho (r. 899–924) – mais tarde seu sucessor – Alfred expandiu o poder dos anglo-saxões sobre o Reino da Mércia e Ânglia Oriental.


Rei rei Æthelstan, representado em um Frontispício. Corpus Christi College, em Cambridge (Domínio Público).


Athelstan assumiu o trono de Wessex em 924 d.C., após a morte de seu pai, o rei Edward, o Velho, e de seu meio-irmão Ethelweard de Wessex. Devido ao tempo que passou na Mércia na juventude, Athelstan foi reconhecido pelos mercianos como rei da Mércia, estendendo seus domínios pelos territórios ao sul do rio Humber. Em 4 de setembro de 925 d.C., ele foi coroado rei de Wessex e rei dos Anglo-Saxões em Kingston Upon-Thames.


Textos antigos mostram que o rei Athelstan, assim como seu avô, foi um rei piedoso, erudito e um guerreiro formidável. Em 926 d.C., uma das primeiras medidas tomadas por Athelstan foi buscar a paz com seu maior rival, o rei viking Sihtric Cáech de York (r. 921–927), selada pelo batismo de Sihtric e seu casamento com a irmã de Athelstan, assegurando a lealdade da região. Mas, Sihtric morreu no ano seguinte, e sua morte possibilitou a anexação direta da região pelos ingleses, aumentando as tensões entre Constantino II, Olaf Guthfrithson de Dublin e Owen.



O herdeiro do trono de York era Guthfrith de Dublin (r. 921–934) – irmão de Sihtric – que atravessou o Mar da Irlanda para reivindicar York. No entanto, o rei Athelstan agiu rápido e conquistou York, em 927 d.C., antes da chegada de Guthfrith. Com o reino de York sob seu controle, o rei inglês buscou expandir sua hegemonia, exigindo a submissão de vários reis do norte. Assim, os governantes de Strathclyde e Northumberland ajoelharam-se perante Athelstan em 927 d.C., sobre a Ponte Eamont, na Cumbria. Apelidado de “o raio” por seus seguidores, Athelstan subjugou o norte da Inglaterra em apenas três anos, tornando-se o primeiro rei da Inglaterra unificada. A anexação de York, o último reino viking independente na Nortúmbria, encerrou o domínio nórdico na região. Os juramentos de lealdade ao rei Athelstan foram formalizados durante as assembleias de Hereford em 927 e Exeter em 928 d.C.


Constantino II e os escoceses

O rei escocês Constantino II era um governante astuto e um líder experiente. Ele era neto de Kenneth MacAlpin (r. 848–858), o primeiro soberano a unificar os escoceses. No entanto, o pai de Constantino, o rei Aed (r. 877–878) é considerado um governante que não deixou nenhum “legado memorável à história”. Constantino II assumiu o trono escocês em 900 d.C., e suas vitórias contra os vikings lhe renderam a reputação de rei guerreiro.



O reino da Escócia e o de Wessex, inicialmente, eram aliados cristãos e parceiros contra os invasores vikings do reino de York. Mas essa relação ruiu quando o rei Athelstan conquistou York e exigiu a submissão dos escoceses. A partir desse momento, os vikings já não eram os mais temidos pelos escoceses; agora, o rei inglês era o principal adversário da Escócia.


Em 933 d.C., o então vassalo dos ingleses, Constantino II, renunciou à sua lealdade a Athelstan e quebrou os termos acordados em Penrith. Enfurecido, Athelstan decidiu invadir a Escócia e saqueou o reino antes de obrigar Constantino a renovar sua lealdade. Athelstan lançou sua campanha de invasão da Escócia em 934 d.C., com uma força combinada por terra e mar. O rei inglês reuniu seu exército em Winchester e marchou para o norte, recebendo reforços ao longo do caminho. Seu objetivo era chegar ao santuário de São Cuthbert em Chester-le-Street, no atual condado de Durham. Athelstan liderou suas forças para o interior da Escócia, incendiando e devastando várias construções, incluindo a grande fortaleza de Dunnottar, ao sul de Aberdeen.


Ninguém ousou enfrentar o poderoso exército do rei Athelstan em batalha. Embora não tenha ocorrido uma batalha decisiva, a incursão inglesa obrigou Constantino II e seu vizinho Owen a renovar sua submissão. Constantino II foi levado para o sul como um sub-rei obediente e apresentado por Athelstan em conselhos reais em Buckingham em 934 d.C., e Cirencester no ano seguinte.


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Ao retornar para casa, Constantino II jurou nunca mais servir aos ingleses. Mas sozinho ele não tinha poder para desafiar o rei Athelstan. Imediatamente, o rei escocês iniciou uma campanha para forjar alianças com os reinos vizinhos. Buscando libertar o norte, Constantino II encontrou vários aliados, incluindo o rei Owen de Strathclyde – um pequeno reino bretão na costa oeste – que também desejava acabar com o reinado de Athelstan. Não foi difícil para Constantino conseguir o apoio de Owen, que era seu parente. Constantino também buscou firmar aliança com os vikings, casando sua filha com o rei Olaf Guthfrithson de Dublin e herdeiro do reino de York.


Olaf Guthfrithson

Outro governante ansioso por uma aliança contra o rei da Inglaterra era o viking Olaf Guthfrithson de Dublin, que havia perdido seu trono de Yorkshire para Athelstan em 927 d.C. A família do rei Olaf (dinastia Uí Ímair/Casa de Ivar) era descendente de Ivar, o Desossado, e há muito atacava e aterrorizava os cristãos nas Ilhas Britânicas. Os membros da Dinastia Uí Ímair migraram da Escandinávia em meados do século IX d.C. e haviam instituído um império no Mar da Irlanda, com reinos em Dublin, na Ilha de Man e em York. O reino de York (Yorkshire e Lancashire) pertencia aos nortumbrianos, mas foi conquistado por Ivar em 866 d.C., tornando-se um centro de poder e comércio viking.



Após a morte do governante Guthfrith em 934 d.C., seu filho Olaf assumiu o trono de Dublin. Guthfrith se tornou famoso na Irlanda por ser um rei extremamente cruel; Olaf não foi diferente, passando os primeiros anos de seu reinado atacando os reis irlandeses e suas igrejas. Em 937 d.C., Olaf voltou seu olhar para a Inglaterra, especificamente para York.


Embora os membros da dinastia Uí Ímair fossem pagãos e rivais históricos dos escoceses, ambos odiavam Athelstan o suficiente para ignorar antigas rixas.


Os inimigos de Athelstan perceberam que a única maneira de enfrentar o rei inglês era deixar as diferenças de lado e se unir. Foi o que Constantino II, Owen e Olaf fizeram.


Preparação par Brunanburh

A formação da coalizão contra os ingleses começou logo após a conquista de York pelos ingleses, em 927 d.C. Não está claro quando e onde exatamente a coalizão agrupou seus exércitos, mas em 937 d.C., os líderes (Constantino II, Olaf e Owen) se mudaram para a Nortúmbria, onde havia um grande número de colonos dinamarqueses que não eram leais a Athelstan. Vários historiadores argumentam que cerca de 600 navios transportaram os vikings de Dublin para a Inglaterra. Uma única fonte antiga relata que os vikings navegaram com seus drakkar pelo rio Humber.


A campanha de invasão à Inglaterra começou por volta de agosto de 937 d.C., com  Olaf liderando uma frota vinda de Dublin para se unir às forças em terra de Constantino II e Owen, seguindo para o sul.



O rei Athelstan estava totalmente despreparado e não reagiu, permitindo que os invasores saqueassem vilas no norte. Mas logo ele reuniria suas tropas no sul e marcharia para confrontar a coalizão.


Por volta de novembro de 937 d.C., as hordas invasoras já haviam se estabelecido em York e devastado parte do reino anglo-saxão ao sul. Segundo os textos do escritor William de Malmesbury do século XII, o rei Athelstan não fez nada a respeito das invasões, passando “horas ociosas” enquanto os invasores arrasavam suas terras.


Na verdade, o rei inglês estava ocupado reunindo tropas e, paralelamente, formando alianças com os nobres anglo-saxões. No século X d.C., um exército para ser formado levava tempo. O papel dos anglo-saxões e mercianos na Batalha de Brunanburh foi destacado na Crônica Anglo-Saxônica, mas parece que as forças de Athelstan não eram exclusivamente de ingleses. Guerreiros vikings sob a liderança dos islandeses Egil e Thorof Skallagrímsson também reforçaram o exército inglês.


Segundo um relato semilendário das aventuras de Egil, um mercenário viking que lutou por Athelstan, registrado na conhecida Saga de Egil, do século XIII, o rei inglês buscou ocultar o seu número reduzido de soldados dos espiões de Olaf. A saga conta que, para cada duas tendas construídas no acampamento de batalha, uma terceira era erguida e ficaria completamente vazia, e quando Olaf chegou para negociar, o rei inglês havia ordenado que seus soldados ficassem do lado de fora das tendas, dando a impressão de que havia tantos soldados que não cabiam nas barracas.



A Saga de Egil – um relato sobre sua vida – foi escrito provavelmente por Snorri Sturluson, um poeta, chefe e historiador islandês do século XIII. O texto é repleto de invenções literárias, sendo considerado um relato histórico limitado. Essa saga conta também que Athelstan foi astuto em ganhar tempo para reunir seu exército e, no final de 937 d.C., mover-se para o norte, onde suas forças e as tropas da coalizão se enfrentariam em um local chamado Brunanburh. O campo de batalha é descrito na Saga de Egil como uma charneca aberta, cercada por uma densa floresta de um lado e um rio do outro.


Athelstan induziu Olaf a iniciar negociações de paz para que seus reforços conseguissem chegar antes da batalha. Após várias tentativas, Olaf conseguiu fazer uma proposta de paz aos ingleses, no entanto, mais de uma semana havia se passado e os reforços esperados por Athelstan haviam finalmente chegado. Agora, as forças militares de Athelstan eram tão grandes quanto as dos invasores, então, o rei inglês fez uma contraproposta: Olaf, Constantino II, Owen e suas tropas deveriam retornar para casa, pagar pelos danos que o exército havia causado e submeter-se ao domínio inglês.


Percebendo que havia sido enganado, Olaf ordenou o fim das negociações e as forças de coalizão marchariam para a batalha no dia seguinte.



A batalha começa

A Batalha de Brunanburh começou com um ataque inglês logo ao amanhecer, no outono inglês de 937 d.C. Entretanto, as primeiras baixas já haviam ocorrido na noite anterior, quando um bispo inglês e seus homens armaram suas tendas próximo do inimigo, sendo vítimas de um ataque surpresa.


Segundo o historiador e autor Julian Humphrys, “os combates iniciais pouco se assemelhavam à confusão generalizada frequentemente retratada nos filmes atuais”. Tanto o exército de Athelstan quanto a força de coalizão teriam se posicionado em fileiras compactas, formando uma muralha de escudos contra seus inimigos.


Estimativas modernas sugerem que cada lado contava com entre 5 mil e 10 mil soldados, fazendo de Brunanburh uma das maiores batalhas do período anglo-saxão. Em ambas as fileiras, a maioria dos guerreiros usava escudos e lanças ou machados. Relatos contemporâneos mencionam espadas, mas estas eram caras e geralmente usadas somente pelos membros da elite do exército. Essa elite se distinguia por suas armaduras de malha, capacetes de ferro e as já mencionadas espadas. Outra arma usada na batalha foi o machado de duas mãos, que podia quebrar um escudo de madeira ou partir um crânio humano ao meio.


Athelstan dividiu seu exército em duas forças, posicionando uma na ala esquerda para enfrentar o exército de Olaf, próximo ao rio, e à direita, uma outra força militar, liderada por seu irmão mais novo, Edmund de Wessex – posteriormente seu sucessor – para combater os escoceses.


Relatos antigos sobre a Batalha de Brunanburh contam que os combates duraram o dia todo. “Nunca houve nesta ilha maior matança de pessoas, mortas diante deste mesmo povo ao fio da espada.” (William Marshal, 1° Conde de Pembroke).


Geralmente, uma batalha dessa época começava com ambos os exércitos se posicionando frente a frente, lançando flechas, pedras e lanças antes de um dos lados avançar.


As lutas entre muralhas de escudos viravam basicamente empurrões, onde cada lado tentava pressionar o outro. Enquanto isso, guerreiros com machados golpeavam os escudos de seus oponentes, e os lanceiros perfuravam o inimigo através de brechas na muralha. No entanto, Humphrys ressalta que seria quase impossível que os guerreiros que portavam machado lutassem em fileiras compactas, pois necessitavam de “espaço para brandir suas armas mortais”.


Muitas vezes nas histórias das batalhas, os guerreiros se posicionaram em uma formação em cunha chamada de Svinfylking, e tentavam abrir caminho através da formação de escudos inimiga. Se as linhas se mantivessem firmes, a luta passaria para um combate corpo a corpo, a forma mais terrível de batalha.


Combate corpo a corpo entre ingleses e os vikings. Imagem criado pelo Grok.


Segundo o poema a Batalha de Brunanburh, ao pôr do sol, uma seção da muralha de escudos viking caiu, e os ingleses abriram caminho, rompendo e destruindo partes da defesa dos invasores. “Então, um massacre frenético irrompeu quando a muralha de escudos despedaçada desmoronou.” O poema também conta que, em meio ao caos, o rei Athelstan lutou bravamente. Já os Anais de Ulster contam que a Batalha de Brunanburh foi “imensa, lamentável e horrível, travada com desespero”.


Por fim, os ingleses saíram vitoriosos e os invasores fugiram em debandada. Eles foram perseguidos pelas forças de Athelstan até o anoitecer, com os fugitivos sendo golpeados pelas costas. Percebendo que suas tropas estavam acabadas, o rei Olaf fugiu para a segurança de seus navios e retornou a Dublin com o que restou de seu exército viking. Constantino II fugiu para a Escócia e abdicou alguns anos depois. Não há relatos posteriores sobre o destino de Owen; provavelmente ele morreu na batalha.


Segundo um poema contemporâneo, “Cinco jaziam imóveis naquele campo de batalha – jovens reis mortos pela espada – e sete dos condes de Olaf”. Constantino II sofreu uma grande perda: a morte de seu filho Cellach.


Finalmente, o rei Athelstan e seu irmão Edmund seguiram para o sul triunfantes. A vitória de Athelstan reafirmou seu domínio sobre York e a unificação da Inglaterra. No entanto, seu exército estava tão enfraquecido no final da batalha que ele não conseguiu reafirmar seu poder sobre a Escócia. O rei inglês perdeu dois primos: Aelfwine e Aethelwine, sepultados com honras na Abadia de Malmesbury.


A Batalha de Brunanburh pode ter sido a primeira vez que um exército inglês utilizou cavalaria em batalha – hipótese amplamente debatida. Sabemos que a força invasora se entrincheirou no campo de batalha com trincheiras fortificadas com madeira, mas essas foram rapidamente tomadas. 


Localização de Brunanburh

O fato mais intrigante da história de Brunanburh é, sem dúvidas, sua localização exata, que ainda permanece um mistério. Poemas contemporâneos contam que a batalha ocorreu “próximo a Brunanburh”, sem explicar onde ela se situa. Até o momento, mais de 40 locais já foram propostos. Arqueólogos, historiadores e estudiosos têm travado intensos debates sobre a localização de Brunanburh. Vários locais foram sugeridos, desde as fronteiras escocesas até Devon, no sudoeste da Inglaterra. Um dos locais citados inclui um local próximo de Lockerbie, na Escócia, mas vários estudiosos acham improvável que a batalha tenha ocorrido tão ao norte, principalmente porque o rei Olaf e seus aliados haviam invadido, inicialmente, a Nortúmbria e capturado York.


Muitos historiadores defendem que a batalha tenha ocorrido em Bridgnorth, em Shropshire; ou Doncaster, em South Yorkshire; e outros acreditam que a batalha ocorreu próximo ao estuário do rio Wyre, em Lancashire. Há também quem defenda que ela tenha ocorrido em algum lugar em Northamptonshire. Outros locais situam a batalha nas colinas entre Huntingdonshire e Northamptonshire. Há também uma possível localização em uma floresta chamada Bruneswald entre os rios Nene e Ouse, e este seria verdadeiramente o nome do local da batalha, em vez de Brunanburh.


Mas, a maioria dos historiadores defende que o local mais provável seja a vila de Bromborough, em Wirral, onde os navios vikings, vindos da Irlanda, teriam atracado com mais facilidade. Eles baseiam seus argumentos em dois nomes de lugares mencionados em um relato contemporâneo: Dinges Mere e Brunanburh. Até 1732, Brunanburh era o antigo nome da vila de Bromborough, em Wirral.


Em 907 d.C., a península de Wirral e Chester testemunhou outra grande batalha entre os ingleses da Mércia e as forças vikings dinamarquesas. Os ingleses também obtiveram uma significativa vitória contra os bretões em Chester, no ano de 623 d.C. Um poema na Crônica Anglo-Saxônica sugere Dingesmere como a rota de fuga costeira, que atualmente foi explicada como “Things – mere ou marr”, o pântano ou brejo associado ao Thing – o parlamento viking que se reunia em Thingwall, na península de Wirral. Entretanto, não há evidências em fontes medievais que confirmem Wirral como a localização de Brunanburh.


No século XII, o cronista John de Worcester forneceu a primeira pista sobre a localização de Brunanburh, afirmando que Olaf “entrou na foz do rio Humber com uma frota poderosa”, sugerindo que o rei viking desembarcou nas margens do Humber antes de marchar para o sul e enfrentar Athelstan em Yorkshire. No entanto, essa teoria é bastante criticada, e vários problemas são apontados. Um dos principais problemas é a confiabilidade de John de Worcester, que escreveu sobre Brunanburh quase dois séculos depois. Historiadores ressaltam que a viagem de Olaf até o Humber seria perigosa, principalmente porque um desembarque na costa oeste seria uma viagem mais curta.


No entanto, para o historiador Michael Wood, o relato de um desembarque viking no rio Humber é o mais provável, e ele destaca duas fontes: uma inglesa e outra irlandesa. Tais fontes afirmam que os invasores foram auxiliados por dinamarqueses da Inglaterra, que só poderiam estar na Nortúmbria ou nas Midlands Orientais. Wood acredita que a Batalha de Brunanburh tenha ocorrido em algum lugar ao sul de York, principal zona de conflitos entre as décadas de 920 e 950. Ele também lançou a pergunta: “Se o objetivo dos invasores vikings era reconquistar seu reino em York, o que eles estavam fazendo em Wirral?”


Após a vitória, Athelstan unificou os dois principais reinos anglo-saxões de Wessex e Mércia, criando uma Inglaterra unificada, uma nação que se mantém até os dias atuais.

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