Crânio de uma criança Homo naledi pode revelar como eles lidavam com os mortos
- 28 de jul.
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Um pesquisador segura uma reconstrução do crânio de uma criança Homo naledi com base em pedaços fósseis e dentes (áreas de cor mais clara). Universidade Wits.
Pesquisadores descobriram o primeiro crânio de uma criança da enigmática espécie Homo naledi em um sistema de cavernas em uma parte remota da África do Sul. Foram reunidos 28 fragmentos de um crânio do tamanho de uma laranja e seis dentes, que pertenciam a uma criança que viveu entre 240.000 e 335.000 anos atrás, em uma abertura localizada em uma câmara subterrânea a 12 metros de profundidade, onde os exploradores de cavernas localizaram pela primeira vez fósseis de H. naledi, em um sistema de cavernas chamado Estrela Ascendente em 2015. Essa descoberta confirma as suspeitas de que um antigo hominídeo chamado Homo naledi pode ter jogado, deliberadamente, seus mortos em cavernas.
A descoberta do crânio em uma fenda estreita aumenta o mistério de como o Homo naledi cuidava de seus mortos.
Apenas o crânio da criança foi localizado, nenhuma parte do resto de seu corpo foi recuperado. Não há evidências de que os ossos tenham sido levados para a caverna por animais ou pela força da água, sugerindo ter sido enterrado por outros membros H. naledi.
O paleoantropólogo Lee Berger, da University of the Witwatersrand, Johannesburg, liderou a equipe que encontrou os fragmentos do crânio infantil. Esse crânio foi classificado como Homo naledi, uma espécie com cérebro do tamanho de uma laranja e esqueleto com características de pessoas atuais e espécies de Homo de cerca de 2 milhões de anos.
Segundo Berger, “O caso está se formando para a eliminação deliberada e ritualizada de corpos em cavernas pelo Homo naledi”. No entanto, não há evidências de que o crânio infantil tenha sido arrastado para o pequeno espaço por predadores ou necrófagos.
A descoberta foi apelidada de Leti pelos pesquisadores (“o perdido”), abreviação de uma palavra no idioma da África do Sul. A equipe acredita que a criança tenha morrido com cerca de 4 a 6 anos. No entanto, essa é uma estimativa, pois ainda não é possível determinar quão rápido as crianças Homo naledi cresceram.
Fonte(s): Science e Science News