Escavação arqueológica no Egito revela raro templo solar de 4.500 anos
- há 30 minutos
- 2 min de leitura

Ruínas do Templo solar de Nyuserre. Imagem de Exibart.
Arqueólogos da missão conjunta das universidades de Turim e Nápoles descobriram as ruínas de um templo solar em Abu Ghurab, a sudoeste do Cairo. A construção fazia parte de um vasto complexo solar encomendado pelo faraó Nyuserre, rei da 5ª Dinastia. O comunicado do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito ressalta a importância do estudo sobre o deus Rá e da ascensão da arquitetura monumental.
Segundo o comunicado, a equipe de pesquisadores foi liderada por Massimiliano Nuzzolo e Rosanna Pirelli, e “representa um dos projetos mais avançados no estudo dos templos solares do Antigo Império do Egito”.
Os complexos templos solares ainda são pouco explorados em comparação com a arquitetura funerária. Os templos solares foram construídos como caminhos rituais que conduziam os fiéis pelas águas do rio Nilo ao coração do culto. Geralmente, essas estruturas eram divididas em um templo do vale e um templo superior, conectados por uma rampa processional. O templo superior de Nyuserre foi identificado e escavado em anos anteriores, mas a porção do vale estava submersa por um aquífero muito profundo para permitir uma investigação sistemática.
Graças ao rebaixamento do nível do lençol freático – gerado pela construção da Barragem de Assuã – foi possível realizar escavações. As escavações arqueológicas se iniciaram em 2024, concentrando-se na entrada monumental do santuário, revelando uma estrutura de mais de mil metros quadrados e mais de cinco metros de altura, construída em granito, calcário branco e quartzito vermelho.

Ruínas do Templo solar de Nyuserre. Imagem de Exibart.
Os pesquisadores destacam os blocos inscritos encontrados próximo da entrada, que trazem o nome de Nyuserre e referências a ritos dedicados não somente ao deus Rá, mas também a divindades como Sokar e Min. A posição das inscrições sugere que o calendário ritual do templo era exibido publicamente na fachada, visível aos participantes das cerimônias.
Por meio de evidências arqueológicas, os pesquisadores identificaram que o templo permaneceu em uso por cerca de um século, antes de ser abandonado e posteriormente recuperado pela população local.
O templo solar recém-descoberto é um dos dois únicos templos do vale associados a complexos solares do Antigo Império egípcio conhecidos até o momento. A estrutura, continuamente habitada, foi raramente preservada na região de Mênfis, onde a reutilização de edificações sagradas era relativamente comum.






