Escavação arqueológica em mosteiro espanhol revela restos mortais de rainha do século XIV
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Túmulo da rainha Elisenda de Montcada. Mosteiro Real de Santa Maria de Pedralbes. Crédito da imagem: Instituto de Cultura de Barcelona.
A Rainha Elisenda de Montcada, do reino de Aragão, fundou o Mosteiro Real de Santa Maria de Pedralbes em 1327 d.C., retirando-se para lá no ano seguinte, após a morte de seu marido, Jaime II de Aragão. Ela passou quase 40 anos exercendo influência sobre a ordem das Clarissas, apesar de nunca ter feito votos religiosos formais.
Elisenda de Montcada nasceu por volta de 1292 d.C., filha de uma nobre catalã e de um mordomo de alta patente. Ela se casou com o rei Jaime II de Aragão em 1322 d.C. Sem filhos, a vida de Elisenda possivelmente foi muito triste após a morte do rei, pois rainhas viúvas que não tinham um filho para assumir o trono eram marginalizadas na corte. Mas Elisenda manteve um certo grau de influência no reino. Ela emitiu quatro decretos em nome da comunidade das Clarissas e deixou a maior parte de seus bens.
Quando Elisenda morreu em 1364 d.C., foi sepultada em um túmulo de mármore no mesmo mosteiro que fundou em 1327, em Barcelona, Espanha. Em um dos lados da sepultura, o seu estatuto real é homenageado, enquanto do outro alude aos seus últimos anos de devoção que passou na comunidade monástica.
O túmulo de Elisenda sempre fascinou os especialistas. Mas os arqueólogos ficaram surpresos ao descobrir que os sepultamentos supostamente pertencentes a um cavaleiro medieval e a uma abadessa continham indivíduos completamente diferentes.
Agora, um projeto de pesquisa lançou luz sobre o sepultamento da rainha Elisenda e outros túmulos ao redor da igreja.
As escavações arqueológicas revelaram que a rainha medieval foi sepultada em um caixão de madeira, com vestes próprias de uma freira. Foram recuperados também fragmentos de seda com fios de ouro.
O túmulo consiste em duas seções justapostas separadas por uma pequena parede; o lado voltado para o presbitério – dentro da igreja – retrata Elisenda em trajes reais, enquanto o outro se abre para o claustro, uma passagem coberta que circunda um pátio externo.
Análises nos restos mortais de Elisenda revelaram que a rainha era relativamente alta para a época, medindo cerca de 1,60 metro. A rainha morreu aos 70 anos, sofrendo de múltiplas doenças ósseas.
Além do túmulo da rainha Elisenda, os arqueólogos abriram outras sete sepulturas, descobrindo um total de 24 indivíduos, incluindo freiras e nobres catalães.
A descoberta revelou que alguns falecidos foram sepultados em sarcófagos, enquanto outros foram envoltos em tecido. Também se descobriu que algumas sepulturas que se acreditava pertencerem a indivíduos específicos continham esqueletos de pessoas diferentes. Por exemplo, a sepultura do cavaleiro aragonês Artau de Foces continha os restos mortais de três crianças e duas jovens. Ele havia se casado duas vezes, mas ambas as esposas morreram em idade avançada, sugerindo que os restos mortais encontrados no túmulo pertenciam a indivíduos distintos.
Os restos mortais de Francesca Saportella, segunda abadessa do mosteiro e sobrinha de Elisenda, também não estavam em seu túmulo. Dentro do sepulcro, descobriu-se nove conjuntos de restos mortais aparentemente depositados em momentos distintos da história do mosteiro.
Ao analisar os ossos da primeira abadessa do mosteiro, Sobirana d'Olzet, os pesquisadores descobriram evidências de um ferimento traumático em seu rosto que ocorreu antes ou no momento de sua morte. Agora, eles estão analisando para determinar o momento e a natureza do ferimento.








