Evidências de assentamento humano de 13.500 anos são encontradas no deserto norte da Arábia Saudita
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Artefatos de pedra descobertos no sítio arqueológico de Sahout, na Arábia Saudita. Crédito da imagem: Tom Marvolo Riddle.
As evidências descobertas por arqueólogos na Arábia Saudita revelam que comunidades antigas viviam nos desertos durante o final da Era Glacial.
A descoberta foi anunciada pela Comissão de Patrimônio da Arábia Saudita após escavações arqueológicas no sítio de Sahout, no sul do deserto de Nefud.
A pesquisa, publicada na revista Nature, destaca a presença de comunidades ligadas à cultura Natufiana, uma sociedade pré-histórica anteriormente conhecida principalmente no Levante.
As escavações em Sahout revelaram diversas camadas de atividade humana, incluindo vestígios como ferramentas de pedra e artefatos associados a grupos de caçadores-coletores que viveram na região há milhares de anos.
Os pesquisadores descobriram, por meio de datação por radiocarbono, que o local foi ocupado por humanos durante o período Epipaleolítico (há cerca de 13.500 anos) – época em que grupos de pessoas estavam gradualmente migrando para formas de assentamento mais estáveis no Oriente Médio.

Pilão e almofariz da cultura Natufiana. Crédito: Gary Todd. (Domínio Público).
Além de sugerir ocupação humana nos desertos da Arábia Saudita em tempos pré-históricos, a descoberta também apresenta claras ligações com a cultura Natufiana, que floresceu no Mediterrâneo oriental entre cerca de 15.000 e 11.500 anos atrás. As lâminas de Helwan, utilizadas como pontas de flecha ou componentes de armas de caça, assemelham-se muito aos artefatos associados às comunidades natufianas.
Essas conexões podem ser explicadas pela localização do sítio de Sahout. Ele fica em um corredor estratégico que liga paisagens desérticas a redes de assentamentos conectados ao Levante, tornando-o importante para a compreensão das primeiras migrações humanas na região.
Os pesquisadores também descobriram uma fase posterior de ocupação entre aproximadamente 10 mil e 9 mil anos atrás (início do Holoceno).
A descoberta de artefatos desse período demonstra que houve um aumento na densidade dos assentamentos e os desenvolvimentos contínuos da tecnologia de ferramentas de pedra.
Pontas de flecha finamente trabalhadas, conhecidas como Abu Salem, encontradas em Sahout, sugerem que o norte da Arábia permaneceu uma região de significativa atividade humana por milhares de anos.
A análise geoquímica em fragmentos de obsidiana usados na fabricação de diversas ferramentas encontradas no local mostrou que o vidro vulcânico se originou em Jabal Al-Abyad, a cerca de 190 km ao sul de Sahout, na região de Khaybar.
As escavações arqueológicas em Sahout revelaram a associação entre os assentamentos humanos e a arte rupestre na região. Camadas arqueológicas revelaram ferramentas de entalhe, juntamente com imagens esculpidas em superfícies rochosas próximas, sugerindo que as comunidades pré-históricas mantinham redes de troca de longa distância. Essas descobertas fornecem uma cronologia clara do desenvolvimento das artes no norte da Arábia.







