Resenha: Os Persas – A Era dos Grandes Reis
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Resenhas de Livros

Publicado no Brasil em 2023, com tradução de Renato Marques, o livro “Os Persas: A Era dos Grandes Reis”, do professor e especialista em Irã antigo, Lloyd Llewellyn-Jones, é uma das mais ambiciosas e bem-sucedidas tentativas recentes de recontar a história do Império Aquemênida a partir do olhar persa.
Durante séculos no Ocidente, os persas foram classificados como bárbaros, afeminados, decadentes e despóticos, principalmente pelas narrativas gregas. Muitos estudiosos afirmam que essas fontes são permeadas de agendas políticas e preconceitos culturais. Em seu livro, Llewellyn-Jones propõe privilegiar as vozes persas – inscrições cuneiformes de Persépolis, arte, arqueologia recente no Irã e até fontes hebraicas e egípcias – para reconstruir o que ele chama de “versão persa” da história.
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O autor estruturou o livro em três grandes partes. A primeira fala do império desde as origens nômades até a consolidação durante o reinado de Ciro I, o Grande; Cambises I; e Dario I. A segunda parte deixa a cronologia linear de lado para mergulhar no cotidiano da civilização persa: vestimenta, alimentação, prática religiosa, organização da corte, harém, burocracia e o exército. A terceira e última parte retoma a narrativa política do “Alto Império” até a queda diante de Alexandre, o Grande, no final do século IV a.C.
Llewellyn-Jones destaca que os aquemênidas permitiam que povos conquistados mantivessem suas religiões, leis e costumes, desde que pagassem altos tributos e reconhecessem a autoridade do governante conquistador. A sofisticação do Império Persa é ilustrada no sistema de correios, na padronização administrativa e na famosa Estrada Real. No entanto, não há romantização por parte do autor: a dinastia persa foi uma das mais disfuncionais da história, marcada por conspirações de esposas e concubinas, rivalidades fratricidas e sucessões sangrentas.
Acessível e envolvente, mas sem abrir mão de erudição. O autor consegue tornar fascinantes tanto as grandes batalhas quanto os detalhes da vida na corte persa. Ele escreve quase como um contador de histórias.
Entretanto, na busca para corrigir o viés grego, Llewellyn-Jones minimiza aspectos autoritários e violentos do império e trata fontes gregas com excessivo ceticismo. A ausência de notas de rodapé detalhadas em algumas edições pode frustrar o leitor que deseja rastrear cada afirmação.
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O livro Os Persas é mais que uma narrativa histórica. É um novo olhar sobre o Oriente Antigo e um convite a compreender por que o legado Aquemênida continua vivo na identidade iraniana contemporânea.





