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Tesouros de Snettisham: por que tantos objetos de luxo foram enterrados em uma colina na costa leste da Inglaterra?

  • há 3 dias
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História e Cultura


Tesouros de Snettisham: por que tantos objetos de luxo foram enterrados em uma colina na costa leste da Inglaterra? | História em Destaque

Torque com terminais ornamentados. © The Trustees of the British Museum. (CC BY-NC-SA).


Em um penhasco arborizado chamado Ken Hill, na costa leste da Inglaterra, precisamente no condado de Norfolk, agricultores que aravam um pequeno campo próximo ao topo da colina desenterraram vários tesouros contendo enormes quantidades de objetos de ouro, prata e bronze, no final da década de 1940.


Ao longo de seis décadas, descobertas semelhantes continuaram acontecendo em Ken Hill, incluindo escavações arqueológicas realizadas pelo Museu Britânico no início da década de 1990. Este sítio arqueológico é considerado o local com a maior descoberta de joias pré-históricas na Europa.


Doze depósitos de tesouros que datam do final da Idade do Ferro foram descobertos na vila de Snettisham, em Norfolk. Neles havia anéis, lingotes, moedas, pulseiras e torques, ou anéis de pescoço.


Além de reunir uma acumulação impressionante de riqueza e artesanato, as pessoas que enterraram os tesouros fornecem evidências de uma grande mudança na forma como os líderes da Grã-Bretanha comunicavam seu poder e autoridade no final da Idade do Ferro.


Desde o início das descobertas em Ken Hill, os estudiosos se perguntam por que esses indivíduos decidiram enterrar tantos itens preciosos nesse local específico. No final da Idade do Ferro, os britânicos costumavam enterrar seus objetos valiosos em locais como Ken Hill. Naquela época, a região era uma projeção torta, semelhante a um dedo, cercada em três lados por uma área pantanosa chamada Wash.


Análises em achados arqueológicos, como cerâmica, ossos queimados e objetos de metal datados do final da Idade do Bronze e início da Idade do Ferro, sugerem que Ken Hill era um local consolidado para encontros e festas. Vários pesquisadores acreditam que o local talvez tenha sido um bosque sagrado ou, quem sabe, uma nascente sagrada.


Foram encontradas evidências de que os torques não foram enterrados às pressas em Ken Hill, mas como oferendas cuidadosamente depositadas como parte de um ritual. Vários tesouros de torque apresentaram um padrão deliberado: primeiro, um colar simples ou muito desgastado era colocado no chão, seguido por uma série de torques especiais, e finalmente a oferenda com um toque especialmente impressionante. Descobriu-se também que as pessoas retornavam ao tesouro posteriormente, criando um segundo depósito acima. Certamente havia algo cerimonial acontecendo naquele local e deveria ser importante para aqueles indivíduos que o faziam.


Os torques podem ter sido usados como símbolo de posição ou status na Grã-Bretanha da Idade do Ferro. Eles também podem ter sido usados para indicar fases específicas da vida de uma pessoa ou que ela pertencia a uma determinada família ou comunidade distinta. No entanto, pesquisadores e estudiosos ainda não conseguiram saber exatamente quais britânicos da Idade do Ferro usavam torques, pois esse item quase não aparece em sepultamentos.


Os colares da Idade do Ferro eram altamente individualizados, eram decorados com motivos geométricos e espirais, ou com imagens como a face humana. Eles apresentavam uma gama de cores, do amarelo-dourado ao branco-prateado. Suas extremidades foram fundidas em moldes e, em seguida, soldadas aos cordões. Para a fabricação dos torques trançados de arame, utilizava-se uma haste de madeira flexível que podia ser dobrada no formato desejado.


Dois dos torques descobertos em Ken Hill se destacam – um pela longevidade e o outro pela sua elegância. O chamado Grande Torque foi confeccionado com oito cordas torcidas, cada uma composta por oito fios martelados à mão até atingirem o diâmetro quase idêntico. Este objeto, feito de ouro e prata, pesa mais de um quilo. Já o Toque Grotesco é um testemunho do desgaste sofrido devido ao seu uso ao longo do tempo. Esse artefato apresenta pedaços de fita metálica, usados para reforçar os pontos francos do colar. Radiografias mostraram que o torque partiu ao meio, possivelmente devido ao longo uso.


A datação por radiocarbono do material orgânico encontrado com os torques revelou que muitos deles podem ter sido confeccionados já em meados do século III a.C. Alguns dos tesouros descobertos em Ken Hiil continham moedas cunhadas por volta de 60 a.C., e as primeiras foram cunhadas justamente na época em que os tesouros foram depositados no solo.


As descobertas em Ken Hill revelaram que nem todos os torques foram enterrados por inteiro. Centenas de fragmentos foram encontrados nos tesouros, e quase nenhum fazia parte do mesmo torque.


Nos séculos posteriores ao enterro dos torques, Ken Hill continuou sendo um lugar sagrado. No século I d.C., dois outros tesouros foram depositados ali – um deles contendo milhares de moedas.


Escavações arqueológicas revelaram que uma vala foi construída, no século II d.C., circundando uma área de 8 hectares que incluía tesouros dos torques. Os pesquisadores ainda não sabem o que há no centro daquele campo, mas acreditam que tenha sido um espaço sagrado ao redor de um templo romano.

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