Arqueólogos encontram raro tesouro de moedas, com mais de 1.600 anos na Galileia
- 26 de set.
- 4 min de leitura
Atualizado: 2 de nov.

Moedas raras datadas do século IV d.C. na Galileia. Imagem de: Autoridades de Antiguidades de Israel.
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Escavação arqueológica revelou um raro tesouro de 22 moedas de bronze em um poço escavado num complexo de esconderijos subterrâneos na Galileia. Esse sistema de túneis e câmaras fica sob o antigo assentamento de Hukok, na Baixa Galileia.
As moedas, datadas do século IV d.C., são da época da última rebelião judaica sob o domínio romano. A descoberta foi apresentada pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), no dia 18 de setembro deste ano, na conferência “Entre Josefo e Eusébio”, realizada no Kinneret Academic College.
O complexo subterrâneo de túneis e câmaras de Hukok foi usado pelo povo de Israel para esconder suas práticas judaicas da vista do poderoso exército romano. Esse tipo de rede de esconderijos foi criado e usado pela primeira vez pelos judeus durante a Grande Revolta que ocorreu entre 66 e 70 d.C., e posteriormente desenvolvida e aprimorada para a Revolta de Bar-Kochba (132 – 136 d.C.).
Os arqueólogos esperavam que a descoberta fosse datada da época de qualquer uma dessas revoltas, caso frequente em Israel. No entanto, as moedas encontradas carregam os rostos dos imperadores Constâncio II e Constante I, filhos de Constantino, o Grande, que dividiram seu império após a morte de seu pai, em 337 d.C. Ambos os imperadores romanos governaram durante a pouco conhecida Revolta de Gallus (351 – 352 d.C.) – última revolta judaica sob o domínio do Império Romano.
Agora, os pesquisadores acreditam que, no século IV d.C., um cenário semelhante ocorreu. O tesouro em moedas encontrado recentemente havia sido escondido em um poço escavado em um dos túneis e coberto com terra.
Segundo os pesquisadores, a rede de túneis e câmaras em Hukok foi reutilizada centenas de anos após a sua última utilização – na Revolta de Bar-Kochba. “O tesouro fornece uma evidência única de que este complexo de esconderijos foi usado de uma forma ou de outra durante a Revolta de Gullas.” A Revolta de Gallus recebeu esse nome em homenagem ao governador das províncias orientais, Constâncio Gallus, naquele período. Pouco se sabe sobre essa revolta, por ser brevemente mencionada por alguns autores romanos.
Segundo Shivtiel, “Um sacerdote chamado Hierônimo escreveu brevemente sobre a revolta, dizendo que os judeus começaram sua rebelião em Tzipori (Galileia), mas foram rapidamente esmagados pelos romanos”. Agora, os pesquisadores descobrem que esses judeus seguiram os passos de seus antepassados, refugiando-se nos esconderijos subterrâneos com seus pertences. “Parece que as pessoas que guardaram este tesouro planejaram cuidadosamente seu esconderijo, na esperança de retornar a ele quando os problemas ameaçadores passassem”, dizem os pesquisadores Uri Berger e o Prof. Yinon Shivtiel.
Como mencionado anteriormente, há poucas evidências arqueológicas sobre a Revolta de Gallus. Os pesquisadores dizem haver uma razão específica para isso. Em 363 d.C., cerca de uma década após a revolta, um terremoto atingiu Israel, devastando várias cidades e vilas, dificultando o trabalho dos pesquisadores em identificar o que foi devastado pelo terremoto e o que foi destruído pela revolta.
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Arqueólogos explicam que o tesouro de moedas da época da Revolta de Gallus, junto a outras descobertas no sítio arqueológico, mostra a dificuldade e crises pelas quais os judeus de Hukok e da Galileia passaram durante os períodos de dominação romana na Terra de Israel.
O papel da Galileia nessa revolta era motivo de grande debate entre os estudiosos, pois não havia evidências de que seus habitantes tivessem participado ativamente do conflito. No entanto, um número crescente de sistemas de esconderijos foi descoberto na Galileia, nos últimos anos, sugerindo que os galileus estavam ao menos preparados para a possibilidade de insurgência.
Fontes históricas sobre a Revolta de Bar-Kochba não apontam para uma participação da Galileia na insurgência. Entretanto, pesquisadores afirmam que os galileus não ficaram parados enquanto a revolta ocorria. “Eles se prepararam, construindo novos esconderijos ou reutilizando os mais antigos”, diz Shivtiel.
“Felizmente, sabemos que logo após essa revolta final – aparentemente no final desse trágico período de dificuldades – uma magnífica sinagoga com mosaicos magníficos foi construída no topo da colina, e o assentamento ali iniciou uma era de prosperidade duradoura”, disseram Berger e Shivtiel.
O complexo de Hukok compreende uma série de espaços subterrâneos ligados por passagens estreitas e sinuosas. Segundo Shivtiel, trata-se de um sistema “defensivo escavado profundamente na terra, diretamente abaixo das casas das pessoas”. Esse complexo de túneis e câmaras foi escavado em todas as áreas onde os conflitos ocorreram. Tais áreas incluíam a Galileia, bem como a região do reino bíblico de Judá (atual Jerusalém e regiões vizinhas ao sul e oeste).
O principal trabalho de escavação arqueológica nesse sistema de esconderijos ocorreu entre 2019 e 2023, como parte de um projeto educacional comunitário em Hukok. Participaram do projeto: Exploradores de Cavernas de Israel, moradores da região, soldados e alunos iniciantes e de pós-graduação do Zefat Academic College. Segundo a Dra. Einat Ambar-Armon, que dirige o Centro Educacional Arqueológico Comunitário da Autoridade de Antiguidades de Israel na Região Norte, “Felizmente, foram os muitos voluntários que escavaram o complexo de esconderijos que realmente descobriram este importante tesouro, e eles desfrutaram deste grande momento de alegria e emoção da descoberta”.
Segundo a Autoridade de Antiguidades de Israel, nos últimos anos foram realizadas extensas operações de escavação e conservação no sítio arqueológico de Hukok, em cooperação com a comunidade local. “Estamos trabalhando juntos para que todo o público possa desfrutar dos tesouros escondidos deste sítio arqueológico”.
“Em vista dos achados da escavação e do grande potencial inerente ao sítio de Hukok, o Keren Kayemet LeYisrael está desenvolvendo um plano detalhado para transformar Hukok em um sítio único, bem-organizado e capaz de receber o público em geral de Israel e do mundo todo”, diz Sheli Ben Iishai, Diretor do Keren Kayemet LeYisrael–JNF Região Norte.








