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Quem foi Heley de Abreu, a professora que marcou a história do Brasil

há 4 dias
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Quem foi Heley de Abreu, a professora que marcou a história do Brasil | História em Destaque

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Há nove anos, uma professora de Janaúba, no norte de Minas Gerais, ganhou notoriedade nacional por um motivo trágico. Ela sacrificou a própria vida para resgatar ao menos 25 crianças das chamas após um funcionário da unidade, em surto, atear fogo a si mesmo e espalhar o incêndio.


A trajetória e a devoção à educação inclusiva

Heley de Abreu Silva Batista nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, e se mudou para a cidade de Janaúba, no norte do estado, ainda na infância. Ela se formou em Pedagogia e fez especialização em Educação Inclusiva, com foco na integração de alunos com deficiência na rede escolar. Ela era descrita por colegas e superiores como uma professora extremamente dedicada e carinhosa.


Na época, Heley estava casada há 23 anos e era mãe de três filhos (duas adolescentes e um bebê de um ano e três meses). Em 2002, ela havia enfrentado a perda trágica de um filho de apenas quatro anos, que morreu afogado na piscina de um clube.


O atentado na creche Gente Inocente

Aquele 5 de outubro de 2017 parecia só mais uma manhã comum na creche Gente Inocente, e os profissionais se preparavam para iniciar os trabalhos com as crianças.


Antiga Creche Municipal Gente Inocente | História em Destaque

Imagem do Centro Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Heley de Abreu (antiga creche Municipal Gente Inocente). Crédito da imagem: Prefeitura e Janaúba.


Entretanto, o que deveria ser mais um dia normal na instituição acabou se tornando um momento trágico. Por volta das 9 horas da manhã, o vigilante Damião Soares dos Santos foi à Creche Municipal Gente Inocente — hoje Centro Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Heley de Abreu — e entrou no local sob a alegação de entregar um atestado médico. Ele carregava álcool escondido em uma mochila e em baldes de picolé.


O ato de bravura que salvou 25 vidas

Pouco antes das cenas de terror, a professora Heley de Abreu conduziu seus alunos para a sala de aula. Foi nesse momento que o vigilante de 50 anos invadiu a sala onde estavam crianças de 2 a 7 anos, trancou a porta por dentro, jogou combustível em seu próprio corpo e nas crianças e ateou fogo. Por amor às crianças, Heley entrou em luta corporal com o agressor para impedi-lo de queimar mais alunos.



O fogo se espalhou muito rápido pela sala, mas a professora heroína e outras duas profissionais, Jéssica Morgana Silva Santos (professora) e Geni Oliveira Lopes Martins (auxiliar), conseguiram resgatar várias crianças pelas janelas e pela porta da sala de aula, salvando cerca de 25 vidas. Outras funcionárias agiram rapidamente e conseguiram evacuar o restante da creche. Devido à sua luta com o agressor e ao incêndio na sala, Heley teve seu corpo queimado.


O balanço trágico e o perfil do agressor

 Em estado grave, Heley foi socorrida e levada ao hospital da cidade com quase 90% do corpo queimado. Infelizmente, a heroína não resistiu aos ferimentos e morreu, mas ela segue sendo lembrada como símbolo de bravura e amor. As auxiliares Jéssica Morgana e Geni Oliveira também foram socorridas, mas não sobreviveram.


No ataque, 14 pessoas acabaram morrendo, 10 delas crianças. O responsável pelo incêndio criminoso chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Segundo os familiares, Damião tinha problemas mentais e estava passando por tratamento psiquiátrico.


A professora Heley era bastante conhecida em Janaúba por ser ativa na comunidade, principalmente participando da Pastoral Familiar da Igreja Católica.


O reconhecimento contra o esquecimento

É lamentável que uma mulher que realizou um ato de tamanha bravura tenha caído no esquecimento. “Hoje, a maioria dos brasileiros vai lembrar da moça da CPI do tigrinho ou do rapaz do rap que faz apologia ao crime, mas vai esquecer a professora Heley”, disse o colunista Emanuel Pessoa ao Jornal Gente.


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Em 2023, o site Estado de Minas trouxe relatos de professores que não conseguiram esquecer o fatídico dia 5 de outubro de 2017. Um dos relatos é o da diretora do CEMEI Izabel Maria de Jesus, colega de Heley na época da tragédia. Ela conta que todo ano, quando chega outubro, Mês das Crianças, “não tem jeito, automaticamente, parece que toda aquela lembrança retorna. [...] a educação ficou toda em luto por todos os que perderam a vida, mas a Heley foi uma propulsora; ela não mediu esforços para salvar as crianças”.


“O que ela fez reflete essa ideia da educação além dos currículos, da educação por amor, mesmo [...]. Ela inspirou muita gente. Não tem como não lembrar.”


A educadora se “esqueceu de si para defender os pequenos indefesos, porque nem ela mesma sabia o que estava acontecendo naquela hora”, disse a professora Ivani Pereira dos Santos.


“O ato dela [Heley] mostrou na prática que o papel do professor vai além do ensinar: inclui o proteger. Foi o que ela fez: pensou mais nas crianças, que eram indefesas, e as protegeu”, afirmou a coordenadora de Educação, Jane dos Santos Souza.


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Condecorações e o prêmio postumamente

Professores de verdade sempre são heróis diante de todas as dificuldades enfrentadas na educação, principalmente na educação de base. Heley sempre será lembrada como uma heroína nessa missão árdua, mas grandiosa.


Todos os dias, professores se enchem de esperança, mesmo diante de tragédias como essa. Eles não desistem na esperança de um mundo melhor.


Heley de Abreu recebeu postumamente a Ordem Nacional do Mérito, do então presidente da República Michel Temer (MDB), e a Medalha de Inconfidência do Governo estadual.


O prêmio Heley de Abreu e Silva Batista é concedido pelo Conselho Estadual de Educação de Minas todos os anos.


Para além das condecorações, Heley de Abreu passou a integrar a história como uma figura heroica que salvou a vida de 25 crianças na tragédia de Janaúba.

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