top of page

Perdoar alguém pode não apagar memórias dolorosas, mas pode atualizá-las sutilmente

  • 26 de mai.
  • 2 min de leitura

Perdoar alguém pode não apagar memórias dolorosas, mas pode atualizá-las sutilmente - História em Destaque

Ouça essa história completa

Há muito se sabe que o cérebro não esquece quando você perdoa, mas ele faz algo muito mais surpreendente com essas memórias. O cérebro faz com que mágoas passadas pareçam menos perturbadoras. A sabedoria popular, assim como o cristianismo, nos aconselha a “perdoar e esquecer” após uma ofensa, sugerindo que ao perdoarmos alguém, a má lembrança deveria desaparecer.


Banne Assine a revista digital História em Destaque

No entanto, neurocientistas observam que perdoar não faz você esquecer. “Quando você perdoa alguém por uma transgressão, você não esquece o evento. Mas, uma vez perdoado, a lembrança não dói tanto”, diz o neurocientista Felipe de Brigard, da Universidade de Duke. Estudos anteriores sugerem que perdoar alguém pode diminuir a lembrança da transgressão. O que não estava claro era se a lembrança é apagada ou é reescrita?


Banner - Compre seu iPhone agora na Amazon. Link de associado Amazon

Para responder a esta questão, pesquisadores realizaram um experimento de perdão sob um aparelho de ressonância magnética funcional (fMRI). Os voluntários foram submetidos a assistir a uma série de imagens que outra pessoa havia supostamente escolhido para eles. A maioria dessas imagens era perturbadora, então, cada vez que o voluntário via uma imagem desagradável, pensava: “Essa pessoa deve estar tentando me perturbar.”



Na metade do processo, um dos participantes que escolheu as imagens ruins se desculpou por isso, enquanto o outro não demonstrou nenhum remorso. Então, os voluntários foram instruídos a tentar perdoar a pessoa que se desculpou, mas sem perdoar as escolhas da outra pessoa. Ainda no aparelho de ressonância, eles avaliaram o quão negativa cada imagem lhes parecia, enquanto mentalmente perdoavam um dos participantes e somente observavam o outro.


No dia seguinte, os voluntários retornaram para avaliar novamente as mesmas imagens. Os resultados mostraram que as imagens desagradáveis associadas à pessoa perdoada foram julgadas menos negativas no segundo dia do que antes, e significativamente mais negativas do que as imagens associadas à pessoa não perdoada. Segundo os pesquisadores, o efeito persistiu um dia depois.



Os exames de ressonância magnética funcional apontaram para duas áreas cerebrais principais. Uma delas era o córtex pré-frontal dorsomedial, uma região conhecida por “mentalizar”. A outra era o hipocampo posterior, crucial para armazenar memórias episódicas detalhadas.


Os pesquisadores observaram que os padrões de atividades nessas áreas durante a visualização das imagens no segundo dia eram muito semelhantes aos padrões observados no primeiro dia para os voluntários que perdoavam.



Segundo a publicação da revista Antiquity, “os dados mostraram que as informações do momento do perdão são incorporadas à memória do evento”. O perdão pode envolver um processo de perdoar e atualizar, revisando as memórias para auxiliar na reconciliação.


O ato de perdoar cria uma nova história que se entrelaça com a memória antiga. No dia seguinte, os voluntários que perdoaram conseguiram ter empatia com o ofensor e se sentiram menos indignados.


O estudo, publicado na revista Emotion, utilizou 23 voluntários para esse experimento, portanto, trata-se de uma prova de conceito, não de uma conclusão definitiva. Os pesquisadores ressaltam que mais pesquisas são necessárias para verificar se os mesmos padrões cerebrais se mantêm em grupos maiores. Mas as conclusões são intrigantes.

APENAS R$ 17,99/mês

No Plano Anual

Inscreva-se em nossa Newsletter para receber os Boletins Informativos da História em Destaque.

Cadastre-se, é grátis!

Seu cadastro foi efetuado com sucesso!

Logomarca da História em Destaque na cor branca

JURÍDICO

EMPRESA

JUNTE-SE A NÓS

SIGA-NOS

  • Threads
  • Telegram
  • X
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Instagram

Copyright © 2026 História em Destaque - Todos os direitos reservados - CNPJ 52.432.670/0001-80

bottom of page