21 de agosto de 1792: o dia em que a guilhotina virou arma política na França
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Gravura da execução de Luís XVI da França. Fonte:Bibliothèque nationale de France (BnF).
Neste dia, em 1792, a guilhotina foi utilizada pela primeira vez em uma execução de caráter político durante a Revolução Francesa. Louis Collenot d’Angremont (também conhecido como Collot d’Angremont), realista e secretário da Guarda Nacional, foi decapitado sob a acusação de conspiração contra a revolução, marcando um ponto de virada simbólico e prático da guilhotina na França.
A máquina que estreou quatro meses antes em uma execução de direito comum, quando um ladrão chamado Nicolas Jacques Pelletier foi condenado por assalto e agressão. A partir desse momento, ela passaria a ser empregada contra inimigos políticos. Posteriormente, a guilhotina foi utilizada massivamente, transformando-se no símbolo sombrio do período da sangrenta Revolução Francesa, principalmente durante o Terror.
Com a radicalização após a tomada das Tulherias e a suspensão da monarquia na França, a violência política se intensificou. Supostos conspiradores e inimigos da Revolução passaram a ser julgados pelo Tribunal Revolucionário.
Na noite de 21 de agosto de 1792, na Place du Carrousel, Collenot d’Angremont foi levado ao cadafalso, sob a acusação de recrutamento de pessoas para brigadas, de atuar como agente de um ministério “corrupto” e de manter correspondências suspeitas. Ele foi condenado e decapitado na guilhotina.
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Essa foi a primeira vez que a máquina ceifou uma vida por motivos explicitamente políticos. A multidão que acompanha a execução aplaudiu fervorosamente. Até meados de 1793, a Place du Carrousel foi o local preferencial para decapitações de condenados políticos. A partir dessa data, o protagonismo passou para a Place de la Révoolution (atual Place de la Concorde).
O episódio de 21 de agosto de 1792 não foi apenas a estreia política de uma máquina. Foi o momento em que os integrantes da Revolução Francesa passaram a utilizar, de forma sistemática e pública, um instrumento de morte contra seus opositores políticos, iniciando uma fase na qual a justiça revolucionária e igualitária se confundiu com a eliminação de inimigos, gerando um espetáculo de poder.
A guilhotina se tornou a imagem duradoura de um período sombrio no qual a liberdade, a igualdade e a fraternidade conviveram com o sangue e o medo.





